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womanyzing

"What is done in love is done well " Vicent Van Gogh

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"What is done in love is done well " Vicent Van Gogh

Dom | 16.11.14

Menos Margarida, muito menos...

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Nunca fui grande fã da Margarida Rebelo Pinto enquanto personalidade, mas como escritora gostei de alguns livros que li nomeadamente do "Sei Lá" que aqui já falei, quando estreou o filme!

 

Mas em relação à sua escrita não é de estranhar que goste, até porque ela escreve de uma forma simples e clara, como eu acho que deve ser a escrita, para que se torne leve para quem a lê!

 

Já vi algumas entrevistas dela, sempre a achei um bocado snobe, mas poderia ser só impressão, no entanto nunca me tinha passado pelas vista uma celebre crónica que escreveu em 2010 sobre "as gordinhas". Já na altura existo uma grande polémica em torno das palavras que teceu sobre estas mulheres, referindo-se a elas como "gorda e sem formas, tornando-se aos olhos masculinos pouco apetecíveis, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas".

 

Quanto as amigas dela e a ela própria que podemos também intitulas de "escanzeladas" já que estamos numa de troca de galhardetes, refere-se como "miúdas giras", dizendo ainda que "ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia". Sinceramente eu não sei como ela própria sabe o que é ser uma "miúda gira" mas isso são opiniões...

 

Tenho ainda a dizer "magrinha" Margarida, que aposto que na ta vida te cruzas-te com "gordinhas" muito bem sucedidas, e que toda a tua revolta e frustração deve vir do facto de te terem trocado por uma "gordinha".

 

Numa altura em que tanto se fala que as mulheres são péssimas umas para as outras, que só estão bem a criticar a forma física de umas e de outras, espero bem que não tenhas tecido os teus comentários quando surgio a polémica sobre a forma física da Jessica Athayde!

 

As mulheres devem unir-se e não colocar-se em grupos ou estereotipar-se umas ás outras por causa do peso, da altura, da cor do cabelo ou seja lá do que for. Aliás somos todas muitos mais iguais do que aquilo que pensamos e sofremos todas pelos mesmos motivos. Acho mesmo que esta crónica não deve ser esquecida uma vez que esta "senhora muito magra", nem um pedido de desculpa, nem tão pouco admitiu que esteve mal nas palavras que utilizou!

 

Deixo ainda a crónica para que possam tirar as vossas próprias conclusões! 

 

"Serve esta crónica para retratar e comentar um certo elemento que existe frequentemente em grupos masculinos e que responde pelo nome genérico de ‘Gordinha’

 

A Gordinha é aquela amigalhaça companheirona que desde o liceu cultivava o estilo maria-rapaz, era espertalhona e bem-disposta, cheia de energia e de ideias, sempre pronta para dizer asneiras e alinhar com a malta em programas. Ora acontece que a Gordinha é geralmente gorda e sem formas, tornando-se aos olhos masculinos pouco apetecível, a não ser em noites longas regadas a mais de sete vodkas, nas quais o desespero comanda o sistema hormonal, transformando qualquer bisonte numa mulher sexy, mesmo que seja uma peixeira com bigode do Mercado da Ribeira.

 

A Gordinha é porreira, é fixe, é divertida, quer sempre ir a todo o lado e está sempre bem-disposta, portanto a Gordinha torna-se uma espécie de mascote do grupo que todos protegem, porque, no fundo, todos têm um bocado de pena dela e alguns até uma grande dose de remorsos por já se terem metido com a mesma nas supracitadas funestas circunstâncias. E é assim que a Gordinha acaba por se tornar muito popular, até porque, como quase nunca consegue arranjar namorado, está sempre muito disponível para os mais variados programas, nem que seja ir comer um bife à Portugália e depois ao cinema.

 

À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto porque como são ‘do grupo’ toda a gente acha muita graça e ninguém condena.

 

Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais me irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se comportam de forma semelhante a elas.

 

Ser gira dá trabalho e requer alguma diplomacia. Que o digam as minhas amigas mais bonitas e boazonas que foram vendo a sua reputação ser sistematicamente denegrida por dois tipos de pessoas: os tipos que nunca as conseguiram levar para a cama e as gordas que teriam gostado de ter sido levadas para a cama por esses ou por outros. Uma mulher gira não pode falar alto nem dizer palavrões que lhe caem logo em cima. Já uma Gordinha pode dizer e fazer tudo o que lhe passar pela cabeça, porque conquistou um inexplicável estatuto de impunidade.

 

Porquê? Porque não é vista como uma mulher? Porque todos têm pena dela? E, já agora, porque é que quando uma mulher está/é gorda nunca ninguém lhe diz, mas quando está/é magra, ninguém se coíbe de comentar: «Estás tão magra!?»

 

Como dizia a Wallis Simpson: «Never too rich, never too slim». E quanto às Gordinhas, o melhor é arranjarem um namorado. Ou uma dieta. Ou as duas coisas." MRP

 

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